Durante a época de inverno, devido às condições climatéricas rigorosas, muitos ciclistas optam por um treino no interior com a ajuda de um home trainer. Este aparelho, cujo princípio é simples (posiciona-se a bicicleta no aparelho que reproduz, com uma resistência, de forma mais ou menos realista, a pedalada no exterior), melhorou enormemente. Hoje em dia, alguns modelos são verdadeiras concentrações de tecnologia, oferecendo sensações muito próximas de uma saída em condições reais.
Se está tentado por esta solução mas não sabe qual modelo escolher, aqui ficam alguns pontos para o ajudar a ver com mais clareza.
Os padrões
- Os tipos de trainers: home trainers de quadro, de rolos e Indoor Bikes
- Os tipos de resistência: ar, mecânico, fluido, magnético / eletromagnético
- Os tipos de treino: interativo e conectado
Home trainer ou rolo?
Dois tipos de home trainers são propostos pelos fabricantes: os rolos e os home trainers de quadro. A principal diferença entre estes dois sistemas é que nos rolos a bicicleta não está fixada, enquanto no home trainer está.
Os rolos são pouco volumosos e rápidos de utilizar. Mesmo que seja necessário aprender a manter o equilíbrio para os usar, é o sistema mais prático, pois basta subir para cima com a bicicleta, sem ter de desmontar ou montar componentes. Por outro lado, tem alguns pontos fracos: mesmo que alguns modelos de topo de gama permitam escolher o nível de resistência antes de começar a utilização, é impossível modificá-lo durante a sessão sem ser obrigado a descer da bicicleta. Além disso, a alta intensidade, pode ser difícil manter o equilíbrio e, portanto, permanecer no rolo.
Para além de uma grande estabilidade, a principal vantagem do home trainer é que oferece a possibilidade de escolher entre diferentes níveis de resistência à pedalada, podendo regulá-la à distância acionando uma manete ligada ao rolo por um cabo. Este sistema é menos rápido de instalar, mas permite realizar sessões de trabalho muito específicas.
Os rolos
Como referido anteriormente, este sistema é o mais simples de instalar, pois não requer qualquer montagem com a bicicleta, que se mantém no lugar unicamente graças ao efeito giroscópico das rodas. Assim, uma boa dose de equilíbrio e de flexibilidade é fundamental para se sentir à vontade e pedalar naturalmente.
O home trainer de rolos é perfeitamente adequado para um aquecimento ou sessões curtas como complemento de um treino, para melhorar o equilíbrio e a velocidade. No entanto, as possibilidades de regulação são bastante limitadas.
Uma vez que a bicicleta não está fixada, é impossível simular uma inclinação e o número de níveis de resistência é limitado.
Alguns modelos possuem um sistema que pode reduzir as vibrações e absorver os choques gerados pela pedalada.
Se optar por um rolo, deverá ter em conta o material do mesmo:
- Plástico: proporciona pouca aderência e desgasta rapidamente o pneu
- Metal: sendo mais rugoso do que o plástico, garante uma melhor aderência
- Gel: oferece uma boa aderência e desgasta muito menos o pneu
Os home trainers de quadro
A ar
Estes modelos estão equipados com uma hélice que opõe resistência ao ar. Por isso, só podem reproduzir inclinações de percentagem muito baixa e estão entre os mais barulhentos.
Mecânico
Estes modelos básicos são adequados para um aquecimento ou uma utilização simplificada. Estão entre os mais leves (pois não têm equipamento complexo) e dobram para serem transportados sem ocupar demasiado espaço.
Não têm posição de regulação das resistências e estão apenas equipados com um botão giratório que gera uma pressão constante entre o pneu e o rolo do home trainer. Será necessário utilizar as diferentes relações entre pratos e cassete para aumentar o esforço.
A fluido
É o menos barulhento dos modelos no mercado. Oferece uma resistência à pedalada muito próxima das condições reais. O grande volante está imerso em óleo e permite simular inclinações acentuadas.
Quanto maior for o desenvolvimento, maior será a velocidade e maior será a resistência oposta.
Magnéticos / Eletromagnéticos
Estes modelos, muito difundidos, são a melhor solução para iniciar a prática do ciclismo no interior, pois oferecem mais resistência e fazem menos barulho do que os modelos a ar.
Estes tipos de home trainers utilizam a força magnética entre um sistema de ímanes e um volante de inércia em metal. Quanto mais pesado for esse volante, mais realista será a sensação de pedalada. Esta tecnologia permite uma gama muito ampla de regulações e opõe níveis de resistência que podem ser muito elevados.
Esta tecnologia é a mais difundida (desde os primeiros preços até aos de topo de gama), pois é muito simples de utilizar e muito robusta. Os modelos de entrada de gama dispõem de uma regulação por botão giratório via cabo em tensão e os de topo de gama apresentam um sistema de conectividade que permite uma gestão eletrónica da resistência (fala-se então de resistência eletromagnética).
Estes modelos apresentam frequentemente uma relação qualidade-preço muito interessante. Os preços variam em função da potência máxima, dos níveis de resistência propostos e dos acessórios fornecidos.
Segundo o tipo de instalação, pode-se distinguir:
O sistema mais comum é o que se coloca apenas na roda traseira: necessita de um pouco mais de tempo para a instalação, mas é mais estável durante a utilização. É aconselhável ter um pneu de home trainer que seja adequado e tenha uma melhor durabilidade do que um pneu de estrada clássico. Os primeiros modelos com travão magnético são relativamente simples, mas encontrará modelos com um sistema eletromagnético que oferece uma multiplicidade de funcionalidades para assistência ao treino, chegando a reproduzir uma saída real com visual.
O sistema de topo de gama substitui integralmente a sua roda traseira para acionar diretamente uma cassete:
Os ciclistas que procuram pedalar com precisão e a uma determinada potência optarão por estes modelos, pois a transmissão da resistência passa diretamente pela corrente, evitando assim a perda de força. Estes modelos permitem diversas possibilidades de regulação e assistências para o treino, tal como o sistema na roda traseira.
AS INDOOR BIKES
Redefinem a utilização do home trainer e a prática do ciclismo fitness nas salas. As Indoor Bikes permitem pedalar em casa sem usar a bicicleta pessoal, mantendo os mesmos ajustes e posições. A sua bicicleta fica assim na garagem, evitando o desgaste geral e as desmontagens/montagens que podem deteriorar os componentes.
Estes produtos proporcionam uma sensação de percurso realista com grande precisão e reatividade, sendo ao mesmo tempo silenciosos. É ainda possível adicionar os seus próprios periféricos, como um guiador, pedais ou um selim, para manter os seus referenciais.
Estes home trainers podem ser conectados a plataformas virtuais para uma imersão total no seu treino ou numa corrida. Encontram-se também as ligações ANT+ e Bluetooth para integrar os dados de dispositivos externos como um smartphone ou sensores. Alguns modelos, como o Wahoo Kickr Bike, proporcionam uma experiência única com mudanças de inclinação físicas em tempo real e uma programação das relações de transmissão idênticas à sua bicicleta. A marca Stages também disponibiliza o seu modelo Cycling Smart Bike, que oferece a vantagem de uma medição precisa da potência de pedalada.
Home trainers conectados? Sim!
Pedalar na sala ou na garagem pode ser bastante aborrecido, admitamos. É precisamente por isso que os home trainers conectados chegaram ao mercado.
Participação e organização de corridas online, adversários virtuais ou confrontos com outros ciclistas em tempo real, partilha e criação de itinerários personalizados, visualização de trajetos em 2D ou com GoogleMaps… Inúmeras funções que o ajudarão a prolongar e enriquecer os seus treinos, tornando-os mais lúdicos e atrativos.
Nestes modelos interativos e virtuais, o software adapta a resistência e o sistema de travagem de forma automática em função das características do percurso escolhido. E, para maior realismo, estes modelos podem ser equipados com um suporte de roda dianteira direcional para que se possam gerir as trajetórias.
No entanto, é de notar que as aplicações disponibilizadas por estes home trainers interativos nem sempre são gratuitas. Geralmente, funcionalidades básicas são fornecidas de origem, sendo necessário adquirir uma licença para beneficiar de todas as outras funcionalidades disponíveis na rede.
Qual home trainer escolher?
Para escolher o home trainer mais adequado à sua prática, é necessário ter em conta:
- A compatibilidade com a sua bicicleta
- A estabilidade: o número de apoios no solo para o equilíbrio
- O sistema de fixação: sem (rolos), na roda traseira, no quadro
- A potência máxima
- O tipo de resistência: a ar, mecânico, a fluido, magnético/eletromagnético
- O número de níveis de resistência
- O comando para regular a resistência: botão giratório, manete no guiador, smartphone/tablet
- A interatividade: sem, sim (incluída), sim (mas em opção)
Faça a sua escolha em função da utilização que vai fazer e do orçamento disponível. Os modelos de entrada de gama podem ser úteis para quem pretende apenas manter a forma no inverno. Para os ciclistas exigentes que procuram uma ferramenta de treino eficaz para progredir, é melhor optar por um modelo que permita atingir elevadas resistências à pedalada e associado a uma aplicação para monitorizar o desempenho.
Como treinar de bicicleta no inverno com um home trainer?
Quando tiver o seu home trainer em mãos, talvez se pergunte como treinar eficazmente com ele. Não entre em pânico, os nossos especialistas partilham as suas dicas:
1. Hidrate-se durante o esforço e munha-se de uma toalha e de uma proteção de quadro para evitar sujar o chão e a bicicleta. Como suspeitava, no home trainer vai transpirar muito.
2. Limite o tempo da sua sessão no home trainer. De facto, pedalar no interior num local fixo não proporciona muita ventilação ao seu corpo e provoca uma sudação intensa. Perde muita água em pouco tempo, bem como minerais. Isso pode causar um défice hídrico no seu organismo.
3. Varie os exercícios para tornar as sessões mais lúdicas e trabalhar de forma específica. Pode trabalhar a força e a velocidade variando a duração do exercício e a intensidade. Além disso, é possível melhorar a sua explosividade integrando na sua sessão esforços curtos e intensos seguidos de um tempo de recuperação.
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